FOLHA DO CENTRO - 23 ANOS DE EXISTÊNCIA Edição N° 146 - Novembro de 2008.
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100 anos da Cruz Vermelha Brasileira

Transcorria o mês de junho do ano de 1859 e, bem distante dos trópicos, em território europeu, um jovem suíço chamado Jean Henri Dunant testemunhava os horrores e o sofrimento dos soldados em combate: era a Batalha de Solferino, a Segunda Guerra de Independência Italiana, cujo saldo foram milhares de mortos, feridos e desaparecidos. Este fato marcaria a vida do então comerciante Henri Dunant que escreveria, posteriormente, em 1862, o livro: “Recordações de Solferino”, distribuindo exemplares entre os chefes de Estado europeus, para que estes pudessem refletir sobre as consequências dos conflitos internacionais. Em 1863, junto a alguns colaboradores, foram traçadas as diretrizes básicas da Convenção de Genebra, originando assim o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, conhecido por todos, simplesmente, como Cruz Vermelha ou Crescente Vermelho. Por suas atividades altruísticas, em 1901 Dunant ganha o prêmio Nobel da Paz e a Cruz Vermelha tem como data comemorativa 8 de maio, o dia do seu nascimento.
Nesse sentido, a Cruz Vermelha tornou-se uma entidade internacional filantrópica que visa à assistência médica e sanitária dos prisioneiros e refugiados de guerra, à busca de desaparecidos, ao reestabelecimento de contatos entre as famílias e pessoas envolvidas em conflitos, à garantia de suprimentos e distribuição de remédios e alimentos para as vítimas civis em áreas de guerra e à prestação de serviços às vítimas de acidentes naturais, tais como enchentes, terremotos, furacões e, em especial, às nações economicamente menos favorecidas. Para tanto, a Cruz Vermelha tem como princípio manter-se neutra, não se envolvendo em questões político-militares entre os lados conflitantes, garantindo, assim, a confiança das partes envolvidas para poder exercer com segurança e liberdade suas atividades humanitárias. Em sua concepção mais moderna, a Cruz Vermelha não se limita apenas à proteção de prisioneiros, civis e militares em situações de guerra, mas a toda e qualquer nação que viole os Estatutos dos Direitos Humanos.
No entanto, apenas a partir do início do século XX o Rio de Janeiro passaria a desfrutar dos beneficios oferecidos por esta instituição. Àquela época, a cidade vivia o auge das reformas urbanas e sanitárias lideradas por Pereira Passos e Oswaldo Cruz, respectivamente. Desse modo, a Capital da República, “civilizada” e, portanto, “maravilhosa”, seria, em 1907, o local escolhido para que o Dr. Joaquim de Oliveira Botelho pudesse lançar as primeiras sementes para a fundação da Cruz Vermelha Brasileira.
Assim sendo, foi eleita uma diretoria provisória composta pelo Dr. Oswaldo Cruz, como primeiro presidente da entidade, ficando o Dr. Oliveira Botelho com o cargo de secretário geral. Contudo, somente em 5 de dezembro de 1908, no Salão da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, foram discutidos e aprovados os estatutos que a efetivaram.
Decorridos alguns anos após sua fundação no Brasil, a Cruz Vermelha Brasileira ganharia grande impulso social por sua atuação na I Guerra Mundial (1914-1918). Surgem, então, as chamadas “Damas da Cruz Vermelha Brasileira”, senhoras da sociedade carioca que assumiriam como tarefa a formação
do Corpo de Enfermeiras Voluntárias. Desta forma, criariam a Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha Brasileira, de grande valia, sendo comprovada pelas excelentes atuações nos vários momentos que se constituíram situações de alto risco.
Só em 1919 deu-se início à construção em definitivo do belo prédio que abrigaria a entidade, o qual foi projetado pelo arquiteto Pedro Campofiorito e inaugurado em 1923. Ainda hoje, apesar de a instituição passar por inúmeras crises, mantém funcionando em suas dependências a Escola de Enfermagem, entre outras atividades a ela vinculadas. Em setembro de 1935, por ocasião da III Conferência Pan-americana da Cruz Vermelha, o então Presidente da República, Getúlio Vargas, aprova a proposta para o lançamento da pedra fundamental de um monumento em homenagem a Ana Nery, enfermeira pioneira e voluntária atuante na Guerra do Paraguai, portanto, Patrona dos Enfermeiros do Brasil. Este monumento somente seria inaugurado em dezembro de 1956, pelo Presidente da República Juscelino Kubitschek. Tal construção, ainda hoje, permanece plantada no mesmo local – na praça Cruz Vermelha.
Faz-se notório salientar a importância desta instituição na área por ela ocupada: surge, então, a praça Cruz Vermelha, cuja nomenclatura se deve ao batismo efetivado pela voz do povo. Este logradouro situa-se em área anteriormente ocupada pelo Morro do Senado.
Atualmente, além da cidade do Rio de Janeiro, encontram-se distribuídas em território nacional, aproximadamente, quinze filiais cujas atividades têm sido de grande valia para as melhorias de cunho social.
Finalmente, vale lembrar também a atuação da Cruz Vermelha Brasileira na II Guerra Mundial, bem como em situações de catástrofes naturais em solo nacional, nas diversas operações ocorridas no Nordeste do Brasil e, mais recentemente, sua atuação na Guerra do Golfo, facilitando vistos de saída para brasileiros que se encontravam hostilizados no Oriente Médio, em especial no Iraque.


 

 
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